QUER SABER UM POUQUINHO SOBRE A NOSSA HISTÓRIA?

Eu me chamo Ângela Goulart Gontijo. Vivo em Janaúba, norte de Minas e já me considero uma "gorutubana do pé rachado". Vim para cá depois de me casar com um colega de escola, de Montes Claros, que tinha uma área de produção de bananas aqui em Janaúba. Tivemos duas filhas, que hoje são adultas e minhas sócias na empresa. Quando começou a se falar da entrada da “Sigatoka Negra”, uma doença que poderia contaminar os bananais no Brasil, decidimos estudar uma alternativa à banana. Pensamos em produzir flores tropicais, de corte. Mas elas são muito próximas geneticamente da banana, o que poderia vir a ser um problema no futuro.

Eu sempre adorei plantas de jardim e tinha uma mini coleção de suculentas. Trocamos uma ideia e decidimos tentar. Sempre gostei de plantas e bichos. Cedo me apaixonei por São Francisco e Santa Clara. O papai tinha uma fazenda de gado e sempre íamos passar férias lá. Quando eu estava com 15 anos, minha amiga Dominique, me chamou para ir, nas férias de fim de ano, trabalhar como voluntária em Israel. Nem pensei duas vezes! E lá fomos nós.

Trabalhamos com plantas ornamentais para exportação, com ovelhas e fizemos até treinamento militar nos finais de semana. Lá decidi que faria Agronomia. Entrei na Universidade Federal de Viçosa em 1978 e me formei em julho de 1982. Comecei trabalhar, logo que me formei, em projetos nas diversas áreas da Agronomia.No início de 1983 estive algum tempo em Moçambique num projeto integrado de planejamento de produção agrícola e pecuária, para o abastecimento dos hotéis e, assim, incentivar o turismo como fonte de divisas para o país.  Em 1987 fui para Itália fazer um curso de Especialização em Irrigação. Em 1989 me casei com Marquim, que já era produtor de banana, e vim para Janaúba.

O cultivo de suculentas começou em 1999. Em janeiro de 2000 visitei viveiros de suculentas na Flórida e em julho e dezembro de 2001. Em julho de 2002 fui visitar viveiros na Califórnia. Lá, nessa época, acontece a “Mostra e Venda de Cactos e Suculentas” da CSSA “Cactus and Succulents Society of America, no Huntington Botanical Garden”.

Em junho de 2005 visitei feiras de suculentas em Londres e aproveitei para conhecer a coleção de suculentas do "Kew Botanic Garden". No final de 2004, Marcos e eu nos separamos. Nós morávamos na fazenda, onde ficavam as estufas, e com a separação eu fui morar na cidade com as meninas. Mantive a coleção, mas, como não conseguia dar muita atenção, acabei perdendo muitas espécies... algumas bem raras.

Em 2006 fui para Lavras, onde comecei um mestrado em Fisiologia Vegetal, mas tive muita dificuldade na área de Biologia Molecular e acabei desistindo do curso. Minha tese seria sobre Teratopia – aparecimento de espécies variegadas e crestadas. Em julho de 2013, após a partilha, recomecei meu trabalho com as suculentas.

 A seca aflige a região desde 2007, mas mais severamente depois de 2011. Estava muito difícil produzir banana porque diante da seca, a represa Bico da Pedra ficou com a água abaixo do limite crítico. O Ministério do Interior doou uma bomba para bombear a água do volume morto para os canais. 2015 e 2016 foram dois anos especialmente quentes em todo Brasil especialmente nas áreas do semiárido, onde estou localizada. As bananas ficaram com as cascas queimadas e cozidas por dentro, parecendo doce de banana. Não tinha comprador para minha banana, nem da maioria dos meus colegas produtores. Arrendei a área de produção de banana em junho de 2018, exatos 5 anos após assumir as áreas que ficaram para mim. Então resolvi investir e me dedicar à produção das Suculentas. 

Hoje dispomos de 1050 m² de estufas cobertas e a nossa coleção conta com aproximadamente 1500 espécies, entre nativas e exóticas. Estamos tentando recuperar a coleção que tínhamos que era bem maior. Eram mais 2000 espécies e as plantas eram maravilhosas.

 

ANGELA GONTIJO EM ISRAEL

 

 

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